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Beto Medeiros
08/03/2026

Novo líder é escolhido no Irã

Mojtaba Khamenei nasceu em Teerã sendo o segundo filho de Ali Khamenei, que governou o país como líder supremo até sua morte em 2026.

Mojtaba Khamenei nasceu em 1969, na cidade de Teerã, capital do Irã. Ele é o segundo filho de Ali Khamenei, que governou o país como líder supremo desde 1989 até sua morte em 2026. Criado em um ambiente profundamente religioso e político, Mojtaba seguiu carreira clerical dentro do islamismo xiita, alcançando o título religioso de hojatoleslam, um grau intermediário na hierarquia clerical iraniana. Apesar de não ocupar cargos oficiais importantes durante muitos anos, Mojtaba ganhou grande influência política nos bastidores do regime iraniano. Ele atuava frequentemente como intermediário entre seu pai e diversas instituições do Estado, especialmente o poderoso Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), organização militar e política fundamental no sistema de poder do país.

Analistas afirmam que Mojtaba teve participação relevante na política interna do Irã, apoiando facções conservadoras e desempenhando papel na eleição do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2005. Ele também foi criticado por seu suposto envolvimento na repressão aos protestos populares ocorridos no Irã em 2009. Após a morte de Ali Khamenei, a Assembleia dos Especialistas, órgão responsável por escolher o líder supremo do país, passou a discutir a sucessão. Mojtaba apareceu como um dos principais candidatos e, segundo diversos relatos da imprensa internacional, foi apontado como provável sucessor devido à sua proximidade com as elites religiosas e militares do regime.

Se confirmado definitivamente como líder supremo, Mojtaba Khamenei assumirá o posto mais poderoso do Irã — posição que controla as Forças Armadas, define a política externa e tem autoridade final sobre os três poderes do Estado iraniano.O sistema político da Irã é considerado uma república islâmica, modelo criado após a Revolução Islâmica do Irã. Esse sistema mistura instituições republicanas (eleições e presidente) com autoridade religiosa baseada no islamismo xiita.


A estrutura política iraniana é composta por vários órgãos, mas alguns são centrais para o funcionamento do poder:


1. Líder Supremo


O cargo mais poderoso do país é o de Líder Supremo, posição ocupada por figuras como Ruhollah Khomeini (1979–1989) e depois Ali Khamenei (desde 1989). O líder supremo é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, um conselho formado por religiosos eleitos pela população. Entre seus principais poderes estão:


Comando das Forças Armadas;

Controle sobre a política externa e de segurança;

Nomeação de chefes militares e judiciais;

Influência direta sobre a mídia estatal;

Poder de veto sobre decisões importantes do governo.


2. Presidente da República


O presidente é eleito diretamente pela população e atua como chefe de governo, sendo responsável pela administração do país. Entre suas funções estão:


Executar políticas públicas;

Administrar a economia;

Indicar ministros;

Representar o país em relações diplomáticas.


3. Parlamento (Majlis)


O parlamento iraniano é chamado de Majlis e possui cerca de 290 deputados eleitos. Ele é responsável por:


Aprovar leis;

Debater políticas públicas;

Fiscalizar o governo;

No entanto, suas leis podem ser revisadas por outro órgão poderoso.


4. Conselho dos Guardiões


O Conselho dos Guardiões é composto por 12 membros — metade religiosos indicados pelo líder supremo e metade juristas. Suas funções incluem:


Revisar leis aprovadas pelo parlamento;

Verificar se elas estão de acordo com a Constituição e a lei islâmica (sharia);

Aprovar ou barrar candidatos nas eleições;

Esse órgão tem grande influência sobre o processo político.


O líder supremo tem mais poder que o presidente. No sistema iraniano, a autoridade máxima deriva da doutrina religiosa chamada Velayat-e Faqih. Essa teoria afirma que um grande jurista islâmico deve supervisionar o Estado para garantir que ele siga a lei islâmica.